O sono em idosos costuma mudar ao longo dos anos, e muitas famílias percebem isso antes mesmo de saber nomear: o pai que acorda de madrugada, a mãe que cochila o dia inteiro, o avô que diz que “não dorme mais como antes”. Nem toda alteração é motivo de alarme, mas também não deve ser ignorada. Neste artigo, explicamos o que pode estar por trás dessas mudanças, quais sinais pedem avaliação médica e que cuidados do dia a dia ajudam a construir noites mais tranquilas.
Por que o sono em idosos costuma mudar
Com o envelhecimento, é comum que o sono fique mais leve e mais fragmentado. A pessoa pode sentir sono mais cedo, acordar várias vezes durante a noite ou despertar antes do horário desejado. Essas mudanças fazem parte do processo de envelhecer para muita gente, mas outros fatores entram na conta e, muitas vezes, são eles que fazem a diferença.
Entre os fatores que costumam atrapalhar o descanso estão:
- dor crônica, que desperta a pessoa ao mudar de posição;
- idas frequentes ao banheiro durante a noite;
- efeitos de alguns medicamentos, que só o médico pode avaliar e ajustar;
- preocupação, tristeza ou ansiedade;
- rotina desorganizada, com pouca luz natural e muitos cochilos durante o dia.
Por isso, dormir mal não deve ser tratado como “coisa da idade”. Vale investigar a causa.
Insônia: quando é difícil dormir ou continuar dormindo
O Ministério da Saúde, em material da Biblioteca Virtual em Saúde, descreve a insônia como a dificuldade de iniciar o sono, de mantê-lo continuamente durante a noite ou o despertar antes do horário desejado. O mesmo material lembra que a insônia pode se prolongar quando a pessoa passa a se esforçar demais para dormir e a se preocupar com isso, o que alimenta o problema. Para quem tem a rotina de cuidar de um familiar, vale saber: pressionar o idoso para “dormir logo” costuma piorar a situação.
Roncos e pausas na respiração
Outro ponto importante é o ronco. Segundo o Ministério da Saúde, ele não é sinal de que a pessoa dorme bem e pode estar ligado à apneia obstrutiva do sono, quando há paradas da respiração durante a noite. Se o idoso ronca alto, acorda engasgado ou fica muito sonolento durante o dia, é hora de conversar com o médico.
Sinais de alerta no sono em idosos
Observar é o primeiro passo. Procure avaliação médica quando perceber:
- sonolência exagerada durante o dia, com cochilos frequentes e involuntários;
- mudanças de humor, irritabilidade ou desânimo que não existiam antes;
- piora da memória e da atenção;
- ronco intenso ou pausas na respiração durante a noite;
- agitação das pernas à noite, que impede o descanso;
- confusão ou agitação ao entardecer e à noite.
O Ministério da Saúde destaca que alterações de humor, de memória e das capacidades mentais estão entre as primeiras manifestações dos distúrbios do sono. Ou seja: às vezes o que parece “esquecimento” ou “mau humor” começa numa noite mal dormida. Também vale ler nosso artigo sobre saúde mental na terceira idade, já que sono e emoções andam juntos.
Hábitos que ajudam o sono em idosos
As orientações do Ministério da Saúde para uma boa noite de sono servem de base e podem ser adaptadas à realidade de cada idoso. Na prática, o que costuma funcionar é a regularidade, um conjunto de pequenos cuidados que, somados, mudam a qualidade das noites.
Horários regulares, inclusive nos fins de semana
Deitar e levantar sempre em horários parecidos ajuda o organismo a se organizar. O Ministério da Saúde recomenda manter essas regras também aos sábados e domingos. Ao acordar, deixar a luz do sol entrar no quarto também faz parte das orientações.
Cuidado com cafeína, álcool e refeições pesadas à noite
Alimentos excitantes, bebidas alcoólicas e bebidas com cafeína devem ser evitados perto da hora de dormir, e comer muito próximo ao horário de deitar também não é indicado. Um jantar leve e um chá sem cafeína, se o idoso gostar e o médico não restringir, podem fazer parte do ritual. Para pensar no prato do dia inteiro, veja também nosso guia de alimentação saudável para idosos.
Movimento durante o dia, calma à noite
Uma rotina com atividades ao longo do dia, como caminhadas leves e exercícios orientados, costuma ajudar o descanso noturno. O Ministério da Saúde orienta apenas a evitar exercícios intensos perto do horário de dormir. Se quiser ideias para começar, leia sobre atividade física para idosos.
Quarto e cama pensados para descansar
- Mantenha o quarto silencioso e com pouca luz à noite; para idas ao banheiro, prefira iluminação suave e piso livre de obstáculos.
- Use a cama para dormir: televisão e planejamento do dia seguinte ficam fora dela.
- Se o sono não vier em 15 a 30 minutos, o Ministério da Saúde sugere levantar e ir para outro cômodo ler, voltando à cama quando o sono chegar.
- Evite telas e programas muito excitantes antes de deitar.
Remédios para dormir: por que não decidir sozinho
É tentador resolver a insônia com um comprimido. Mas medicamentos para dormir só devem ser usados com indicação e acompanhamento médico, porque interagem com outros remédios e podem aumentar a sonolência e o risco de quedas. Se o idoso já toma vários medicamentos, a revisão do conjunto, feita pelo médico, é um passo importante. Sobre o risco de tombos, temos um guia de prevenção de quedas em idosos.
O papel da equipe e da família no cuidado com o sono
Em casa, o cuidador e a família percebem sinais que o idoso muitas vezes não relata. Anotar por alguns dias a hora de deitar, quantas vezes acordou e como foi o dia seguinte ajuda muito na consulta. Em uma instituição de longa permanência, a observação noturna faz parte do cuidado. A Anvisa, por meio da RDC 502/2021, regula o funcionamento dessas instituições, e o Estatuto da Pessoa Idosa assegura a atenção integral à saúde da pessoa idosa. Na casa de repouso na Vila Prudente, o Espaço Vida conta com atendimento de enfermagem 24 horas e uma equipe criada por enfermeiras, o que permite acompanhar de perto como cada residente passa a noite.
Perguntas frequentes
É normal o sono em idosos ser mais leve?
Algumas mudanças, como sono mais leve e despertares noturnos, são frequentes com o envelhecimento. Porém, sonolência intensa durante o dia, ronco alto, alterações de humor ou de memória merecem avaliação médica.
Cochilar durante o dia atrapalha a noite?
Pode atrapalhar, principalmente se o cochilo for longo ou no fim da tarde. Muitas vezes, um descanso curto e em horário fixo é bem tolerado. O médico pode orientar o que é melhor para cada caso.
Quando levar o idoso ao médico por causa do sono?
Quando a dificuldade para dormir persistir, houver sonolência diurna exagerada, ronco com pausas na respiração, agitação das pernas à noite ou mudanças no humor e na memória. O Ministério da Saúde indica o neurologista como profissional apropriado para analisar o sono, e o geriatra pode orientar a investigação inicial.
Venha conhecer o Espaço Vida
Se o descanso do seu familiar preocupa a família e o cuidado em casa está pesado, conheça o Espaço Vida, na Rua Marechal Malet, 536, Vila Prudente, em São Paulo. Contamos com enfermagem 24 horas, seis refeições por dia e visitas todos os dias das 14h às 17h. Fale conosco pelo WhatsApp (11) 99483-4649 e agende uma visita. Veja também a página de contato.
Fontes
- Ministério da Saúde / BVS: Distúrbios do sono
- Anvisa: Resolução RDC nº 502/2021
- Lei nº 10.741/2003: Estatuto da Pessoa Idosa
Foto: RDNE Stock project / Pexels
Conteúdo informativo, não substitui avaliação médica.


